Artigos - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 03:52:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Artigos - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 O Anseio por Deus e a Divinização do Homem https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/o-anseio-por-deus-e-a-divinizacao-do-homem/ Mon, 01 Jul 2024 11:55:30 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=67747 Com o presente artigo, começamos uma série de reflexões voltadas ao aprofundamento da fé e ao amadurecimento da espiritualidade cristã. Para nos orientar neste caminho, utilizaremos o estudo realizado pelo professor Gregory K. Popcak, da Universidade Franciscana de Steubenville – EUA, e exposto em seu livro “Deuses feridos – os sete anseios do coração humano”.

Todas as pessoas possuem anseios e aspirações particulares que as motivam e direcionam em suas vidas. Muitas vezes, encontrar o caminho certo é um grande desafio. Esta situação se torna ainda mais dramática quando examinamos a dimensão do desejo humano sob a influência da concupiscência interior. Por causa do “desajuste” provocado pelo pecado original é fácil se perder entre os muitos apetites e interesses diários e fazer escolhas equivocadas. Frente a essa perspectiva, Popcak destaca a necessidade de um reordenamento da natureza humana em direção a Deus (Deuses feridos, 2022, p. 13), que no final das contas, equivale a uma espécie de divinização, pois à medida que nos aproximamos de Deus, participamos mais intensamente de Sua vida divina.

Portanto, o primeiro anseio que o homem possui é o anseio de Deus. Essa verdade é expressa pelo fato de não se encontrar algo próprio desse mundo que seja capaz de satisfazer totalmente a vontade humana. Mesmo as coisas boas, se experimentadas sem o contorno e a presença de Deus, não são capazes de proporcionar saciedade. Cada pessoa é criada para a eternidade, e o apetite insaciável que experimentamos nessa vida reflete isso. Santo Agostinho chega a sugerir que todos os desejos humanos, no fundo, são uma busca por eternidade, apesar de muitas vezes se manifestarem de formas distorcidas (Confissões, 1997, p. 22).

Vejamos, como exemplo, o encontro de Jesus com a samaritana no Evangelho de João 4, 13-15. No texto, uma mulher vai ao poço de Jacó retirar água, e está claramente insatisfeita. O Senhor lhe conta a história sobre a fonte de água que jorra para a vida eterna, e o anseio que ela sente por Deus torna-se evidente quando exprime seu interesse em tomar daquela água com a finalidade de não sentir mais sede. No âmago da sua existência, o que aquela mulher mais desejava era o estabelecimento de uma comunhão profunda e amadurecida com Deus. Ao encontrar Jesus, ela tem esse anseio divino satisfeito e parte decidida a viver de modo diferente e abandonar o pecado da fornicação e do adultério.

Conforme Popcak (Deuses feridos, 2022, p. 56), quando se compreende a dimensão do desejo humano, em última instância, como desejo de Deus, e se adota um olhar sobrenatural sobre todos os eventos da vida, enxergando neles a possibilidade de união com Cristo, dá-se início a vida interior e a mística. O homem foi feito por Deus e para Deus e a sua permanência nesse mundo atinge o ápice a partir do momento que, aproveitando todas as oportunidades habituais, forja uma verdadeira amizade com Cristo, “ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vós sois meus amigos se praticais o que vos mando” (Cf. Jo 15, 13-14).

Esse ponto de vista está de acordo com os documentos do Concílio Vaticano II, Lumen Gentium e Gaudium et Spes, que ensina que a santidade deve ser uma realidade viva e presente no cotidiano de todos os cristãos. Ela é alcançada através das ações diárias, na forma como se trabalha, se vive em família e se interage com a comunidade. O Concílio convida os fiéis a enxergarem cada aspecto da vida como uma oportunidade para viver a santidade e testemunhar a presença de Cristo no mundo.

Pe. Roberto César Braga
Formador no Seminário Diocesano São José

 

Referências:
BÍBLIA DE JERUSALÉM. 2ª ed. São Paulo: Paulus, 2002.

POPCAK, G. K. Deuses feridos: Os sete anseios do coração humano (B. Costa Sales de Oliveira, Trad.). São Paulo: Editora Cultor de livros, 2022.

SANTO AGOSTINHO. Confissões (J. Ferreira, Trad.). São Paulo: Editora Paulus, 1997. (Obra original publicada em 397-400).

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A Busca Humana Pelo Conhecimento e Pela Verdade https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/a-busca-humana-pelo-conhecimento-e-pela-verdade/ Thu, 11 Jan 2024 02:35:07 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=67491 Existe uma frase atribuída ao famoso filósofo da antiguidade, Sócrates, que me causa certa inquietação, “uma vida sem busca, não é digna de ser vivida”. Eu me pergunto: O que seria essa busca? E por que a vida humana sem ela, seria menos digna de ser vivida caso não a realizemos?

Bem, devemos clarear algumas coisas aqui. A busca de que Sócrates está falando é a busca pelo conhecimento. Como sabemos, o modo de existência do homem é único entre todos os seres vivos porque ele é capaz de conhecer. Deus nos fez assim. O que nos torna à Sua imagem e semelhança são justamente essas potências interiores, a inteligência e a vontade. Porque somos seres de inteligência e vontade podemos eleger Deus, e sermos seus amigos.

A frase de Sócrates não deve ser entendida do ponto de vista que diminui o valor da vida humana. Sabemos que esse valor é intrínseco a pessoa, e que não está atrelado ao que ela faz ou tem. No entanto, podemos sim afirmar que o conhecimento imprime qualidade à vida humana. Vejam meus amigos, o conhecimento adquirido nos dá elementos que contribuem para o aumento da nossa própria liberdade. Quanto mais conhecemos, mais nos tornamos livres, pois, a partir do momento que eu conheço melhor o objeto de estudo, passo a ter maiores condições de elegê-lo e de permanecer fiel a essa opção de eleição.

O amor verdadeiro também exige o conhecimento e a liberdade. Não podemos testemunhar realmente o amor se não somos livres para isso, ou, se não conhecemos mais profundamente o bem que se ama. É por isso que as ideologias, as mentiras, a própria obstinação de muitos no erro, são como que máscaras colocadas para afirmar algo que não somos. É um grande engano achar que quem vive por uma ideologia, por uma mentira ou erro, pode ser feliz, que pode ter a inteligência e a vontade satisfeitas.

Eu também gostaria de falar da realidade da busca que experimentados ao logo da vida. Nós estamos sempre a procura de algo. Vivemos uma busca, e mesmo que não tenhamos de modo esclarecido na nossa mente aquilo que buscamos, nossa vontade não para de desejar, e acaba nos colocando em movimento num caminho que procura a saciedade. Quando a pessoa não faz uma correta adequação da realidade, o que consequentemente não permite a construção de uma ideia verdadeira e real sobre as coisas, corre-se o risco, infelizmente, de satisfazer-se de qualquer modo, ou, com migalhas.

Nesse sentido, encarando com seriedade que somos seres em busca e em constante movimento, descobrimos que o desejo que sentimos arder dentro de nós, e que não pode, de modo algum ser saciado pelas coisas desse mundo, é um grande sinal que aponta para o infinito. Só Deus, caros irmãos, pode saciar a sede que possuímos.

Vejamos um exemplo. Vocês se lembram de Pedro, Tiago e João? Do alto da montanha eles contemplam a face gloriosa de Cristo. Naquele momento a alma deles está preenchida de Deus, está preenchida de verdade. Pedro, encontrando o que o seu coração mais ansiava diz: “é bom estarmos aqui, façamos três tendas, uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Ele não quer arredar o pé dali. Caros irmãos, quando encontramos a razão da nossa vida, que é Deus, que precisa ser Deus, encontramos a verdadeira paz. Aí a nossa inteligência e a nossa vontade repousam realmente, porque alcançam o motivo dos seus esforços.

Não tenham medo de buscar o que realmente importa. Não tenham medo de escancarar as portas dos vossos corações a Cristo! Não tenham medo de lutar pela verdade, sabendo que a maior de todas as verdades é Cristo! A verdade cristã em meio a uma sociedade adoecida e corrompida como a nossa, pode parecer as vezes frágil, pequena, e como Cristo na cruz, até impotente, mas ela sempre vai vencer, porque ela não é nossa, não é uma filosofia pessoal, é a verdade de Deus!

Pe. Roberto César Braga
Formador no Seminário Diocesano São José

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O sacerdote é a vida ofertada a Deus a fim de que Deus a tenha para ofertá-la aos homens https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/o-sacerdote-e-a-vida-ofertada-a-deus-a-fim-de-que-deus-a-tenha-para-oferta-la-aos-homens/ Tue, 08 Aug 2023 19:05:35 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=66756 No início da década de 70, atendendo ao apelo do Papa Paulo VI: “O dever de fomentar as vocações sacerdotais pertence a toda a comunidade cristã, que, em primeiro lugar, deverá cumpri-lo por meio de uma vida plenamente cristã” , acontece no Brasil o primeiro mês vocacional. Especificamente no ano de 1971, na Diocese de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, o mês de agosto passou a ter, pela primeira vez, essa intenção particular para a Igreja : intensificação das orações pelas vocações sacerdotais e religiosas; e encontros vocacionais com o objetivo de promover o discernimento vocacional e encorajar os fiéis a rezarem pelas vocações.

Quantos frutos as orações e encontros vocacionais, ao longo destes 50 anos, renderam para as dioceses de nosso País. Na diocese de Uruaçu é notório o apreço enorme que padres e fiéis têm por este mês e, em todas as Paróquias da Diocese, se busca dar ênfase ao tema das vocações e promover momentos para oração e discernimento dos que se inquietam com a Voz do Senhor.

Além do inevitável foco nas vocações consagradas e religiosas, que é um elemento presente desde a definição do mês agosto como mês vocacional, tem-se também, ao longo do mês, uma apreciação pelo tema vocação em sua concepção mais ampla: como marca do sentido primeiro e última da existência humana. Neste ano, em particular, a temática vocacional do mês de agosto, ganha ainda mais relevância, por se tratar do terceiro ano vocacional no Brasil.

Este terceiro Ano Nacional das Vocações traz como lema: “corações ardentes e pés a caminho” , apontando a íntima relação entre o chamado que Deus faz a todos, acendendo neles a chama que faz arder o coração, e a Missão inerente a esse dom de si que é a resposta vocacional. O ano vocacional alerta para a tomada de consciência de que na Igreja todos são vocacionados, o batismo é a marca que distingue os que foram chamados por Deus a serem filhos e herdeiros dos bens eternos.

A igreja é uma comunidade de vocacionados . É preciso pensar seriamente sobre isso! Todos na Igreja são vocacionados, ninguém é Igreja por movimento unilateral de querer ser Igreja, todos que são Igreja o são porque foram chamados e aceitos por Deus. Qualquer um que seja Igreja, o é porque responde “sim” ao chamado de Deus e, qualquer missão que a pessoa abrace enquanto Igreja, é marca da sua essência vocacional. Ninguém deve sentir-se funcionário da Igreja na obra da evangelização, nem deve definir-se como voluntário ou mesmo um quebra-galho pastoral, pois o “ser Igreja” é essencialmente vocacional. A proposta do Ano Vocacional é, portanto, reacender em cada cristão a consciência da essência vocacional de nossa pertença à Igreja. Somos uma comunidade de vocacionados e todos os batizados são, por vocação, membros do Corpo de Cristo e constituem, vocacionalmente, a comunidade Igreja. Nossa comunhão eclesial revela nosso ser vocacionado: que é ser chamado, ser sustentado e ser enviado. Ninguém é Igreja por voluntarismo ou por funcionalismo, o espírito que deve reinar no coração de cada cristão é o de ser Igreja porque Deus o chamou e de ser membro de pastorais ou movimentos porque Deus mesmo o enviou, pois, antepondo a qualquer vocação específica, está a vocação por excelência que é o chamado que Deus faz atraindo para Si e que só pode ser respondido quando se compõe a sua Igreja, tornando-se família de Deus e herdeira dos bens eternos.

A primeira semana do mês vocacional é um chamado a contemplar, na sua particularidade, a vocação ao ministério ordenado, um convite a voltar a atenção para os que foram, são e serão chamados ao ministério ordenado: o Papa, os bispos, os padres e os diáconos. Portanto, aqui, faz-se importante tecer algumas palavras sobre esta vocação tão sublime que implica uma entrega total, com um coração indiviso e amor sobrenatural.

Que sacerdote, ao longo de suas idas e vindas da lida ministerial, nunca ouviu de alguma criancinha um: “Mamãe, olha o padre!”? Qual padre nunca se deparou com uma criança que ao vê-lo, enroupado em sua vesta talar, ficara tomada de encantamento e, de modo eufórico, anunciara a quem está em sua tutela: “…olha o padre!”!? Essa manifestação tão natural e simples revela algo que precisa ser recolocado em sua centralidade na compreensão do Sacerdócio Ministerial. A criança, nesse contexto apresentado, parece anular a particularidade da pessoa do padre ao vêr-se no encanto do sacerdócio que ele traz consigo… ela, com toda sua inocência, ao reconhecer, pelas vestes sacerdotais, o padre, se dá conta naturalmente de que não se trata de alguém como o tio, o avô, o pai ou qualquer pessoa que faça parte da sua vida. A criança transcende qualquer elemento particular da pessoa do padre, para ela é como se o sacerdócio que ele traz consigo lhe houvesse extraído toda sua particularidade como pessoa. É o padre, só isso. Não precisaria nem ter um nome, é suficiente que seja o padre.

Ao trazer esse exemplo, quero chamar a atenção para a especificidade da vocação do ministro ordenado, enquanto vimos na proposta do Ano Vocacional o chamado divino como algo feito a todos, também é verdade que ele é um chamado único para cada um e específico para cada missão. O chamado ao ministério ordenado, o chamado a ser padre, é um chamado que pede mais que uma tarefa, mais que uma missão, pede uma entrega total e totalizante de vida. É uma vocação que só pode ser concretizada quando a pessoa chamada aceita ser toda de Deus e, por Deus, ser entregue sem reservas ao povo. O padre não se dá ao povo, ele se dá a Deus e, por essa entrega total, ele permite que Deus o entregue ao povo para que seja o sinal visível da presença invisível de Cristo em sua Igreja.

Neste primeiro fim de semana de agosto, de modo muito especial, se pede a oração pelo Papa, pelo Bispo e pelos sacerdotes. É significativo recardar nas orações o padre que o batizou, lhe deu a primeira comunhão, lhe assistiu com os sacramentos e oração e que se entrega em sua comunidade com o zelo e o amor do Bom Pastor; rezar igualmente pela juventude diocesana, pelos jovens da Paróquia, os da própria família, para que se deixem tocar pelo chamado Divino e não tenham medo de darem o passo de amor e entrega da própria vida a Deus; rezar pelos seminaristas que estão iniciando sua etapa formativa, pelos que estão no caminho do discipulado e da configuração ao Cristo autor de toda vocação. Que a Igreja seja cada vez mais uma comunidade dos chamados por Deus e que não temem responder o sim generoso ao seu apelo.

Pe. Edval Rodrigues Camelo

 

1     Documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II, Decreto Optatam Totius, n.2, Editora Paulus, São Paulo, 2014

2     Cf. https://www.diocesedesantoangelo.org/single-post/2020/08/02/como-surgiu-o-m%C3%AAs-vocacional-no-brasil

3     Texto Base do 3º Ano Vocacional, Edições CNBB, 1ª edição, Brasília – DF, 2022

4          Cf. Texto Base do 3º Ano Vocacional, n.10

5     Cf. Texto Base do 3º Ano Vocacional, n.84

6          Em alguns casos, essa entrega total, que é um completo esvaziamento de si mesmo, vem traduzida ritualmente no momento dos votos ou ordenação, quando o vocacionado perde até o seu nome batismal.

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Mês de Agosto: Primeira Semana – Vocação Sacerdotal https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/mes-de-agosto-primeira-semana-vocacao-sacerdotal/ Tue, 08 Aug 2023 18:56:40 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=66753 O Papa Francisco define a vocação sacerdotal da seguinte maneira: “Ser sacerdote significa arriscar a vida pelo Senhor e pelos irmãos, carregando na própria carne as alegrias e angústias do povo, dedicando tempo e escuta para curar as feridas dos outros, oferecendo a todos a ternura do Pai”.

Ser padre é estar entregue ao próximo, à serviço do povo de Deus, a vocação para sacerdote não é mérito pessoal, mas um chamado de Cristo. É Ele quem escolhe os vocacionados e que os envia em missão. Pelo Nome de Deus, o sacerdote se coloca a serviço da comunidade cristã, na missão de acolher, perdoar, unir e motivar a vivência da fé. Essa definição não é feita por acaso, Jesus disse: “Quem quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Lc 9,23).

A vida sacerdotal não é uma escolha, é antes um chamado. A vocação sacerdotal é uma graça divina destinada a alguns pelo próprio Deus. Deus, em Sua misericórdia, escolhe alguns homens para servi-Lo em meio ao Seu povo como pastores. Desse modo, eles devem guiar e orientar os filhos de Deus à luz do Evangelho e na vivência dos sacramentos. “Deus vive, e precisa de homens que vivam para Ele e O levem aos outros”, assim se expressou o Papa emérito Bento XVI numa carta dirigida aos seminaristas, em 2010.

Existem alguns sinais em seu interior que te ajudam a discernir a vocação sacerdotal. Por isso, uma observação de si mesmo pode ser de grande ajuda nesse processo.

Mas, o que devo observar? Quais são esses sinais?
Primeiramente, você precisa pedir ao Espírito Santo que te ajude a descobrir a verdade sobre si mesmo. Portanto, é necessário buscar se conhecer como Deus te conhece. Então, olhe para si mesmo a partir dos olhos de Deus.

Vamos então aos sinais que podem indicar a vocação sacerdotal e te ajudar a discernir.

Primeiro, faça alguns questionamentos para si mesmo:
• Tenho aprofundado minha espiritualidade?
• Gosto de me dedicar à oração?
• Procuro instruir-me acerca das questões da fé?
• Tenho amor pelos sacramentos?
• Procuro vivê-los com intensidade?
• Tenho aproveitado as graças que posso alcançar com o sacramento da confissão e da sagrada Eucaristia?
• Carrego dentro de mim o desejo de servir?
• Preocupo-me mais com as necessidades do outro do que com as minhas próprias?
• Dedico-me mais à Igreja do que aos meus compromissos pessoais?
• Sou chamado à vida celibatária?
Como discernir a vocação sacerdotal em 4 passos:
Discernir a vocação sacerdotal é um processo demorado. Logo, não adianta ter pressa e querer uma confirmação de maneira instantânea. O caminho é longo, exige paciência e confiança na Providência Divina.

1. Vida de Oração (intimidade com Deus)
Procure se aproximar cada vez mais de Deus por meio desse diálogo, colocando a sua vida à disposição do Senhor.
Santo Afonso Ligório já dizia: “Devemos rezar para saber o que Deus quer de nós e lhe pedir sua ajuda para cumprir a Sua vontade”.

2. Direção Espiritual
Inicialmente, procure o auxílio de um padre para discernir a vocação sacerdotal. Ele será para você a voz do próprio Deus a te orientar.

3. Conviva com os sacerdotes
Aproxime-se mais do sacerdote da sua paróquia.
Se um amigo pode nos ajudar a enxergar mais claramente os fatos, um amigo sacerdote muito mais poderá clarear a visão sobre a vocação sacerdotal.

4. Sirva aos necessitados
No serviço ao próximo nos assemelhamos a Deus. O próprio Cristo nos indicou que assim devemos agir quando disse: “Sede misericordiosos para com os outros, assim como vosso Pai é misericordioso para convosco” (Lc 6,36).
Por fim, a vocação ao sacerdócio é um mistério de amor entre Deus que, por amor, chama o homem que, também por amor, responde-lhe livremente. Um chamado para ser a ponte entre Deus e os homens, um chamado a continuar no mundo e salvá-lo, mas não ser mais do mundo. É a decisão de um jovem que quer dedicar a vida para ajudar aos irmãos a salvarem suas almas e a tornar este mundo mais conforme com o que Deus pensou. Reze pela sua vocação e não tenha medo de dar a sua resposta, Cristo te chama, qual a sua resposta? Nesta semana em que somos convidados a Rezar pelos Sacerdotes, intensifiquemos nossas orações e supliquemos ao Senhor que envie operários.

Rezemos Juntos:
Oração do Ano Vocacional
Senhor Jesus,
enviado do Pai e Ungido do Espírito Santo,
que fazeis os corações arderem e os
pés se colocarem a caminho,
ajudai-nos a discernir a graça do vosso
chamado e a urgência da missão.
Continuai a encantar famílias, crianças,
adolescentes, jovens e adultos,
para que sejam capazes de sonhar e se entregar,
com generosidade e vigor,
a serviço do Reino,
em vossa Igreja e no mundo.
Despertai as novas gerações para a
vocação aos Ministérios Leigos,
ao Matrimônio, à Vida Consagrada
e aos Ministérios Ordenados.
Maria, Mãe, Mestra e Discípula Missionária,
ensinai-nos a ouvir o Evangelho da Vocação
e a responder com alegria.

Amém!

Pe. Ricardo Henrique Silva
Reitor Menor e Propedêutico
Promotor Vocacional Diocesano

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Filho do carpinteiro… antes, do Arquiteto. https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/filho-do-carpinteiro-antes-do-arquiteto/ Fri, 05 May 2023 12:01:29 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=66073 A certa altura, os ensinamentos de Jesus na sinagoga de sua terra provocam assombro nas pessoas: como poderia o filho do conhecido Zé da Maria ter tanta sabedoria? Quando os cidadãos admirados dizem: não é Ele o filho do carpinteiro? (Mt. 13,55), expressam ao mesmo tempo uma afirmação e uma dúvida. Que mistério subjaz naquela difícil compreensão?

Sim, Jesus é o filho de Maria e José, mas não apenas… há algo maior, que lhe confere identidade de um sábio e grande em obras. Antes de filho do carpinteiro, Jesus é filho do Divino arquiteto do universo, como Ele mesmo afirmou aos doze anos, no templo de Jerusalém.

Por isto, ao voltar nosso olhar para a carpintaria, encontramos no trabalho um ponto de intercessão entre o humano (José) e o divino (Iahweh). Onde Jesus passa a maior parte de sua vida é notória a associação do trabalho ao mistério da encarnação do Verbo de Deus. Ao entrar numa família da comunidade de Nazaré, Cristo assume todos os aspectos do ser humano, e ali começa a redenção, superando a nuance de castigo (Gn. 3,19) que pesava sobre os pecadores. O trabalho é a expressão do dinamismo da vida, lugar de criatividade e exercícios físicos, do ganha pão cotidiano, da prestação de um serviço a quem dele precisa, de progresso dos povos e ocasião para as relações sociais.

Mormente, depois do Verbo Eterno na carpintaria de José, o trabalho é também meio de santificação, ele é um jeito de amar o próximo. Como explicou o papa João Paulo II: “A expressão cotidiana deste amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho de carpinteiro (…). Juntamente com a humanidade do Filho de Deus, o trabalho foi acolhido no mistério da Encarnação e redimido de maneira particular” (RC, 22). “Suportando o que há de penoso no trabalho em união com Cristo o homem mostrar-se-á como verdadeiro discípulo de Jesus, levando a cruz de cada dia nas atividades que é chamado a realizar (…). O suor e a fadiga, que o trabalho comporta proporcionam a todo homem a possibilidade de participar no amor à obra que o mesmo Cristo veio realizar” (LE, 22 e 27).

Esta teologia, da Encarnação e Redenção realizada por Jesus Cristo, não poderia excluir ou ignorar a presença e função de José, o carpinteiro. Oportunamente foi que, aproveitando o dia do Trabalho inaugurado em Chicago no ano de 1886, o papa Pio XII estabelece a festa de São José Operário em 1955, colocando-o como ícone de quem santifica o trabalho e pelo trabalho se santifica, obedecendo a Deus e servindo ao próximo.

Sim, é melhor trabalhar do que ficar à toa. Quem é à toa atrapalha: não se exercita fisicamente como deveria; a cabeça desocupada pode ser oficina do diabo; deixa de imitar Deus que trabalhou e se junta ao diabo por conta da inveja e orgulho sobre os bens alheios; depende da bondade dos outros ou passa a roubar para sobreviver; hora dessas e mais cedo vai parar na cadeia ou cemitério. Ao passo que, quem trabalha sofre, mas se alegra com a consciência tranquila: não se torna pesado aos outros; realiza seus sonhos; é útil aos outros fazendo bem o próprio dever; melhora o mundo com sua atuação técnica, estética e ética; obedece a Deus que colocou a obra criada sob nossa responsabilidade.
Queremos frutos? Exerçamos o labor e o Senhor nos recompensará. Trabalhemos, reservando o tempo do justo repouso e da adoração! Assim o fez o filho do carpinteiro… antes, Filho do Eterno arquiteto do mundo.

(Pe. Crésio Rodrigues – 1º. de maio de 2023)

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Festa da Divina Misericórdia https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/festa-da-divina-misericordia/ Sun, 16 Apr 2023 02:53:10 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=65850 Caríssimos irmãos, estamos celebrando nesse dia glorioso a Festa da Divina Misericórdia. Entre os anos de 1931 e 1938, através de uma série de aparições de Nosso Senhor Jesus Cristo à irmã Faustina – uma religiosa polonesa que foi declarada santa pela Igreja Católica – foi manifestado o desejo do coração de Deus de que todos os homens recorressem à sua infinita misericórdia.

Lembremos o que nos ensina o Magistério a respeito dessas revelações misteriosas. Existem dois tipos de revelação. Primeiro, a revelação pública, que contém tudo o que é necessário para a nossa salvação e santificação, e está contida na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja. Depois, a revelação privada ou particular. A esse segundo tipo de revelação pertence a devoção à Divina Misericórdia, que nos recorda realidades que já haviam sido anunciadas, mas que precisam ser retomadas pela humanidade. As revelações privadas sempre acontecem em vista do amadurecimento da fé dos fiéis, e do clareamento de algum aspecto da própria revelação pública.

Nesta Festa da Divina Misericórdia precisamos nos dirigir à Igreja com um profundo desejo de encontro com Nosso Senhor, de honrá-lo, adorá-lo, ofertar a Ele nossa piedade. Jesus comunicou à santa Faustina o tamanho da Sua alegria por tantas almas que recorriam a Ele e esperavam Nele. A Festa da Divina misericórdia deve ser uma oportunidade de reacendermos nosso amor a Deus, de nos deixarmos ser tomados pela Sua graça.

Deus recorda a humanidade através de Santa Faustina a Sua Face misericordiosa e amorosa. Num momento em que o mundo se encontrava mergulhado na violência, assolado pelo ódio, cada vez mais descrente, Jesus aparece e fala da Sua misericórdia infinita. Não existe um remédio melhor para as nossas feridas, e nem refúgio mais seguro, que o coração misericordioso de Deus.

Esse dia também é, fundamentalmente, uma oportunidade de conversão. Cada ato de fé que realizamos deve nos levar a uma proximidade maior com Deus. Por isso a festa da misericórdia ressalta a presença de Nosso Senhor que continua perto de nós e que se deixa encontrar. A misericórdia de Jesus é pessoal, no sentido que perscruta e abarca a história de cada homem e mulher no mundo, e essa intimidade com Ele reorienta nosso coração para o céu.

Portanto, vamos com confiança ao encontro de Jesus. Nesse domingo Ele nos aguarda nos confessionários, e na missa, cujo centro é a adoração do Seu corpo eucarístico. Viva a Divina Misericórdia!

Pe. Roberto César Braga
Vigário da Paróquia São José Operário

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Amor em tempos de modernidade https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/amor-em-tempos-de-modernidade/ Thu, 20 Oct 2022 10:28:50 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=64812 Esse artigo é direcionado a todas as pessoas de bem, mas, de modo especial, aos casais que ouvem constantemente o discurso de que precisam se abrir às “novas formas de amar”. O foco da discussão é a aparente incapacidade humana de num relacionamento amoroso se viver a monogamia. Parece, de acordo com alguns “estudiosos”, que a progressiva quantidade de traições observadas entre os casais de hoje comprova que somos feitos para uma espécie de amor poligâmico. Essa reflexão tende para uma fragmentação da pessoa, separando sentimento verdadeiro, de desejo. Com algum escolhido/a se vive de forma mais inteira, enquanto outros/os existem apenas para satisfazer o apetite sexual.

Discordamos enfaticamente dessa concepção. Uma relação em que se busca puramente o prazer sexual beira ao animalismo. Vincula-se muito mais ao comportamento das bestas, que ao humano racional. Precisamos considerar que o homem é uma unidade psicossomática, e que por isso não se pode separar nele a afeição, do sexo. A ocorrência desse fato reduz homem e mulher a meros objetos e fere a dignidade de ambos.
Portanto, qual é o nosso posicionamento? Acredito que o amor entre o homem e a mulher constitui o arquétipo do amor humano. Desde os tempos mais remotos esse amor foi chamado de eros, e por isso era experimentado como uma maneira de comunhão com o divino, o que levou muitas religiões primitivas à prática da prostituição “sagrada” dentro de seus templos. Procurando redimir a humanidade de suas más escolhas, através da encarnação do Verbo, Deus se revela a partir de um amor livre de toda a voluptuosidade, chamado ágape. Esse novo movimento sustém a experiência que é verdadeiramente descoberta do outro, doação gratuita ao outro, superando o egoísmo que prevalecia antes. O amor não pode ser a busca por si próprio, mas uma infatigável preocupação pelo bem do amado.

Discordamos enfaticamente dessa concepção. Uma relação em que se busca puramente o prazer sexual beira ao animalismo. Vincula-se muito mais ao comportamento das bestas, que ao humano racional.

Nesse sentido, cai em descredito os argumentos utilizados para defender a poligamia e o chamado “amor livre”. A liberdade no ato de amar está na capacidade de não nos prendermos aos ímpetos carnais, mas ir além da matéria e viver uma união de corpo e alma. O verdadeiro amor exige uma parceira responsável e um ambiente que exala segurança para que possa crescer, coisas impossíveis de serem encontradas fora da família verdadeiramente constituída.

Pe. Roberto César Braga
Vigário da Paróquia São José Operário – Diocese de Uruaçu

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Deus nos convida a servir de diferentes maneiras https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/deus-nos-convida-a-servir-de-diferentes-maneiras/ Wed, 31 Aug 2022 19:59:54 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=64541 Não é novidade que em um determinado tempo de nossas vidas, surja a pergunta sobre onde e como doaremos nossas vidas por amor ao Reino de Deus. E é aqui que entra a grande alegria, Deus, o nosso Pai amoroso, não nos abandona neste discernimento, mas traçou um caminho para cada um de nós, um plano de vida. Sabemos também que se a vocação é um mistério, como há de revelar-nos, como compreenderemos este chamado? Através das inspirações que iluminam o nosso interior ou mesmo os conselhos que recebemos de alguém que Ele colocar em nosso caminho, arredando os obstáculos, preparando os auxílios.

Por ocasião deste Mês Vocacional, é uma boa oportunidade para escrevermos sobre o mistério da eleição divina que toca a todos, ou seja, os estados de vida em que uma pessoa poderá corresponder aos desígnios de Deus, como um autêntico operário de sua vinha, uma vez que ele “[…] nos salvou e nos chamou com uma vocação santa, não em virtude de nossas obras, mas em virtude de sua própria vontade e graça […]” (2 Tm 1, 9). Dito isso, falaremos brevemente sobre os estados de vida que abraçamos ou que um dia abraçaremos, seja o matrimônio, seja a vida religiosa ou consagrada, ou mesmo a vocação sacerdotal.

Aos que Deus destina à vocação matrimonial, este estado santo de vida em que os esposos são convidados por Deus a se doarem mutuamente. Estes irão caminhar juntos dirigindo-se ao mesmo ponto, a santidade conjugal, uma vez que falamos aqui de uma instituição sagrada elevada a dignidade de sacramento. Além disso há também o grande tesouro da vida matrimonial, gerar novos filhos para Deus. vale dizer também, que este sacramento é um mistério sagrado; por vezes a Sagradas Escrituras o compara com a própria união e entrega de Cristo à sua Igreja, como afirma o apóstolo Paulo “[…] Este mistério é grande […] (Ef. 5, 32)”. Por isso reiteramos, a santificação mútua é um dos fins do matrimônio.

Agora no que tange a vida religiosa ou consagrada, é um estado, que caracteriza pela separação do mundo, no sentido de renúncia às honras, aos bens da terra, sendo exclusivamente de Deus através da castidade consagrada, que vivida de modo perfeito, ilumina esta vereda com um esplendor celestial, dado que estas almas esquecendo de si próprias se doam inteiramente a Deus, seja mediante o esplendor recluso escondido da vida contemplativa, seja por aquelas, que prestam também serviços à comunidade, seja como educadores, seja auxiliando nas Dioceses, seja cuidando dos doentes, estes de fato, como diz o apóstolo Paulo irão “[…] brilhar como luzeiros no mundo […]”, e mais acrescenta, “[…] terão a glória de não ter corrido em vão, nem trabalhado inutilmente. (Fl 2, 12)”.

Por fim, a vocação sacerdotal, um dom particular de ordem exclusivamente sobrenatural, em que o Padre poderá renovar todos os mistérios e virtudes da vida do Salvador. Um dom recebido gratuitamente pela bondade do Cristo, em que o ministro ordenado participa portanto, do sacerdócio real do Redentor e cumprindo na terra a idêntica missão do mesmo, aliviar as misérias humanas pelo perdão dos pecados e salvando as almas por intermédio dos sacramentos, sobretudo pelo Santo Sacrifício da Missa. É bem verdade que aqueles que são chamados a tão grande missão sintam-se incapazes, no entanto, é preciso considerar com grande espírito de fé pedindo a graça de abraçar e permanecer em uma fidelidade constante, que desembocará num ardente desejo, num amor generoso, na certeza de que trata-se de algo sublime e sobrenatural e de eleição divina, como disse o Divino Mestre: “Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi […] (Jo 15, 16)”. Por isso quem recebeu tal chamado, que não sepulte em seu coração tão sublime chamado, ao contrário, anseie os desígnios divinos clamando ao Divino Paráclito que ilumine sua inteligência e direcione seu coração aos suaves atrativos de sua graça, a fim de que possa responder com generosidade e alegria.

Gabriel Novais Silva
1º Ano da Configuração (Teologia)
Agosto de 2022

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Serviço de amor! https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/servico-de-amor/ Wed, 10 Aug 2022 22:52:08 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=64421 Na realidade, arrefecem os sentimentos de pertença à mesma humanidade; e o sonho de edificar juntos a justiça e paz parece uma utopia de outras épocas. Cuidar do pobre, do enfermo, isto é, de pessoas que convivemos no dia a dia, é uma diaconia e desafiadora. “É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós” (Jo 14,17). Olhemos como impera uma indiferença sossegada, gelada e generalizada, filha de uma intensa desilusão que se amoita por trás dessa ilusão patranheira: julgar que podemos ser onipotentes e esquecer que nos encontramos na mesma casa comum.

São Lourenço nos catequiza que há muitas pessoas perto de nós. Que podemos sentir o cheiro, olhar, tocar as mãos, sentar-se ao lado, gastar conversas sem escolher cadeiras, viver ao menos um copo de água, que queiramos nos sentar, ser mídia real. “Essa desilusão, que abandona os grandes valores fraternos, conduz a uma espécie de cinismo. Essa é a tentação que temos diante de nós, se formos por este caminho do desengano ou da desilusão” (Pp. Francisco, Fratelli Tutti, nº 30). Nos assegura Jesus: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize!” (Jo 14,27). Ainda: “Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).

Um discurso que não provoca atenção e nem as mídias, é exatamente a presença cristã, ser hóstia consagrada! Diác. Lourenço foi hóstia consagrada àqueles que não tinham notoriedade! Riqueza de Deus! Fotografias e mídias são fáceis de executar; mas ser hóstia de CRISTO PARA OS OUTROS, SER COMUNGADO POR AMOR E POR AQUELES QUE SÃO ESQUECIDOS, NEM SEMPRE É ACOLHEDOR. Não nos deixemos enganar: “O isolamento e o fechamento em nós mesmos ou nos próprios interesses nunca serão o caminho para voltar a dar ESPERANÇA E REALIZAR UMA RENOVAÇÃO, MAS A PROXIMIDADE, a cultura do encontro, sim. O isolamento, não; a proximidade, sim. Cultura do confronto, não; cultura do encontro, sim.” (Pp. Francisco, Discurso ao mundo acadêmico e cultural, Cagliari – Itália, 22/setembro/2013).

Há tantos trabalhos pastorais pertinho de nós e todos com ODORES DE CRISTO! É uma questão de fé; e é preciso aceitar uma desconfiguração pessoal, familiar e de círculo de amigos e de ideias cristalizadas a partir de Jesus Cristo! Tudo por Jesus! Ele dá tudo!

São Lourenço interceda por nós e vivamos bem a Diaconia.

Guarinos-GO, 10/agosto/2022

Pe. Antonio Teixeira Sobrinho
Pároco e Reitor do Santuário Nossa Senhora da Penha

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Discernimento vocacional: o que Deus tem para mim? https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/discernimento-vocacional-o-que-deus-tem-para-mim/ Fri, 04 Feb 2022 13:03:40 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=62862 O que quero ser e fazer? Estas perguntas acompanham o processo de descoberta da vocação. Deus nos chama a vida, daí nos tornamos filhos pelo batismo, o Senhor nos configura a Ele, neste caminho de configuração ele faz a cada um de nós um convite, a sermos Santos, nos fazendo um chamado por meio de uma vocação específica, seja ao Sacerdócio, a vida religiosa, consagrada e matrimonial.

Para tal precisamos discernir por meio da Palavra, da Oração, da Escuta, o que o Senhor tem a cada um de nós. No ordinário da vida precisamos nos colocar na escuta de Deus, permitir que ele nos fale por meio dos sinais, das realidades do dia a dia.

Como se dá esse processo de discernimento Vocacional?

Primeiro passo, é a abertura do coração para o chamado de Deus, deixá-lo tocar no coração, conhecer-se a si mesmo. Para que este processo aconteça da melhor forma é bom a partir dos primeiros traços ter contato com um sacerdote se possível da paróquia e por meio de um encontro chamado de direção espiritual iniciar um acompanhamento para sanar as dúvidas e inquietações.

Apresento Sete passos precisos para a compreensão do Discernimento Vocacional:

1) ORAÇÃO: “Senhor, que queres que eu faça?” (Atos 22,10)

2) PERCEPÇÃO: Para descobrir o que Deus quer, você tem que ouvir, observar e fazer a experiência. Ouça seu coração: o que é que você quer? Aprenda a observar as pessoas ao seu redor: o que Jesus está dizendo a você pela sua pobreza, sua ignorância, sua dor, seus desesperos, a necessidade de Deus.

3) INFORMAÇÃO: Mantenha-se informado sobre o que é sua missão específica e quais são os meios, os apostolados, que são utilizados para alcançá-lo.

4) REFLEXÃO: Em que sinais concretos você crê que Deus está te chamando? Que razões você tem para ele, ou não, para realizar ou não este caminho? O que é que o(a) atrai?

5) DECISÃO: “Enquanto desciam pela rua, ele lhe disse:” Eu te seguirei aonde quer que vá” (Lc 9, 57). A decisão é um passo na fé, um ato de confiança com seu amigo Jesus.

6) AGIR: Tome uma atitude! “Indo mais longe, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, num barco com seu pai Zebedeu, consertando as redes; e ele os chamou. Imediatamente eles deixaram o barco e seu pai e seguiu-o” (Mt 4, 21-22).
Com sua decisão você também compromete todo o seu passado e futuro. A única maneira de realizar o plano de Deus na vida é a fidelidade de todos os dias. viver cada momento, de acordo com o que decidiu, você dirige todos os seus passos em direção à meta. E quando aparecem as dificuldades? Persevere! Prepare-se para a luta, você terá de enfrentar problemas e superar os obstáculos. Jesus diz: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga “(Lc 9, 23).

7) ACOMPANHAMENTO VOCACIONAL/ DIREÇÃO ESPIRITUAL: A direção espiritual, na realidade, não é apenas mais um passo no processo de discernimento vocacional, é um meio, que você pode lucrar em cada uma das etapas vistas antes. O diretor espiritual irá motivá-lo para você rezar e entender os sinais da vontade de Deus. Vai ajudá-lo a se preparar adequadamente para entrar em uma casa de formação. Se é verdade que a vocação é um chamado pessoal de Deus, ninguém pode ouvir esse chamado por você, por isso, você precisa ter alguém para acompanhá-lo em seu discernimento vocacional, pois escutando o Chamado de Deus, irá partilhar com outra pessoa essa voz que está a escutar.

O discernimento do plano de Deus, é necessário fazer com a mediação da Igreja. Descobrir a vocação não é fácil, mas não impossível. Se você partiu com sinceridade a buscar a vontade de Deus, e percebeu os passos que sugerimos, acho que você pode entender. Deus é o primeiro interessado em que você possa descobrir e perceber sua vocação. Se coloque na escuta do chamado de Deus em sua Vida. Ele chama qual a sua resposta?

Pe. Ricardo Henrique Silva
Promotor Vocacional

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